Emprego
Num país como o Brasil, onde a relação de emprego tem até justiça especializada para julgar as demandas e decidir sobre conflitos, é natural que o empregador busque alternativas para fugir desses problemas. Assinar uma carteira do trabalho é firmar um contrato com milhares de cláusulas, a maioria delas “protegendo” o contratado, sendo um dos motivos pelos quais a relação de emprego fica cada dia mais difícil de ser estabelecida. O empregador que pode passar esse problema adiante o faz, utilizando, principalmente, o recurso da terceirização. Essa “solução”, entretanto, contraria a vontade do empregador que é ter vinculado a ele os seus colaboradores, ciente de que grande parte do valor de uma empresa está no capital humano, e também por ele se sentir bem tendo o poder sobre eles.

O sonho do empregador é ter uma equipe que "vista a camiseta" da empresa, que seja como uma família, como ele costuma dizer nas festinhas de fim de ano, ainda que se comporte de forma contraditória, evitando dar estabilidade aos seus empregados e mostrando, tantas vezes quanto possa, que é ele quem manda. Mas, mesmo assim, ele espera que o empregado tenha sentido de “pertencimento" à empresa, que se refira a ela dizendo, “a nossa empresa”, que tenha orgulho dela, o mesmo orgulho que ele tem.

O empregador, na maioria das vezes, não foi preparado para lidar com empregados, é desajeitado, pouco confiável nas suas decisões sobre pessoas, acha que tem de manter distância para ser respeitado, comete injustiças, tem preferências pessoais, tem sentimento de culpa quando ganha dinheiro, procura esconder seu padrão de vida, na verdade, representa o papel de “patrão”, pois acha que assim é que deve se comportar. Quando ele dirige uma empresa com Diretorias e Gerências especializadas, essa postura permeia por esses setores, que procuram se comportar como acham que o executivo principal deseja. Ainda que apresentado de forma caricatural, esse é o ambiente mais usual no qual as pessoas desejam se inserir através de um emprego.

Até aqui destacamos a maneira de ser de empresário, caracterizando-o com sendo o empregador. Mesmo em empresas ou organizações de grande porte, com administração profissional, a situação não muda muito já que os dirigentes assumem o papel de empresários e assim se comportam.  Ainda que muitas vezes o empregado não tenha contato direto com o empresário ou com a diretoria que o representa, isso é irrelevante já que essa maneira de ser está presente no que se denomina "cultura" da organização.

Um desajuste com a cultura inviabiliza a relação de emprego e, mais cedo ou mais tarde, o empregado será rejeitado pelo meio onde está indevidamente inserido. Por esse motivo é fundamental que o candidato a emprego conheça as características da cultura ideal para ele, pois somente assim poderá saber se está, ou postula, o emprego adequado ou não.  É importante esse entendimento já que a relação de emprego é a forma mais usual pela qual as pessoas são remuneradas quando trabalham e a empregabilidade não é um valor absoluto das pessoas, mas sim diretamente relacionado com as condições do emprego desejado.

As pessoas não são despedidas e/ou têm dificuldade de conseguir emprego por azar, como se fosse um jogo. As pessoas enfrentam essa situação por atitudes e comportamentos que podem ser modificados. Assim sendo, a dispensa é sempre previsível e muitas vezes decorrente de causas evitáveis, e a obtenção de emprego é dificultada por procedimentos inadequados.

Geralmente o pretendente a um emprego acha que deve dizer qual sua formação, o que fez até agora na vida, estágios e empregos anteriores, relacionamentos pessoais, inserção social, e outras informações mais e coloca tudo isso num currículo, como se isso fosse o suficiente para serem selecionados.

A análise do currículo, quando realizada por pessoas despreparadas, é geralmente feita por critérios padronizados, tais como: Quanto tempo permaneceu em cada emprego? (se durou pouco neles, não vai durar mais aqui). Há quanto tempo está sem emprego formal? (se ninguém o quis até agora...). Ficou muitos anos num emprego e saiu? (deve estar superado). Investiu muitos anos estudando? (deve ser um teórico). Solicita um salário abaixo do mercado? (logo, logo vai solicitar aumento). Apresenta uma faixa de salário ampla? (nem sabe quanto vale).
 
O desempregado, para sair dessa situação, não tem de pedir um emprego, mas sim conquistá-lo.  O empregador quer ter com ele pessoas que vistam a camiseta da empresa, que possam ter o sentido de pertencimento, coloquem a empresa acima de sua vida particular, acima da família, tenham interesse pelo que fazem, não se atenham a horários de saída, ainda que respeitem os de entrada, ou seja, o que mais interessa não é o que esse pretendente ao emprego fez até hoje, mas qual seu comportamento no novo emprego.

Num universo de desempregados, será escolhido aquele que se destaque dessa multidão, dizendo: “Olha eu aqui! Sou diferente, quero trabalhar, ser útil , pertencer a uma empresa, ser feliz no trabalho, ter orgulho de estar com vocês”. Para dizer isso não adianta só mandar currículo, é preciso manifestar a vontade de pertencer e ser útil, fazendo isso de forma criativa moderna, e fora do convencional, e quando convidado para a entrevista, transformar esse encontro num entreconhecimento.


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